Blindagem arquitetônica em alta

Blindagem arquitetônica em alta

Por Mário 19/04/2018 - 21:27 hs

A violência nas cidades de todas as regiões do país nesses últimos anos não só provocou o aumento da blindagem de automóveis, como também fez crescer a procura por outro serviço de proteção: a blindagem arquitetônica.

Utilizada para trazer maior segurança às mais diferentes edificações, esse tipo de blindagem também atraiu atenção de aventureiros, que oferecem o serviço sem possuir documentação e conhecimento exigidos para garantir efetiva proteção. Em entrevista para a Revista Blindagem & Segurança, o empresário Gutto Pinesi dá um panorama do mercado atual, faz o alerta acerca dessas empresas e orienta o consumidor para que não seja enganado.

Acompanhe os principais trechos da entrevista:

Revista Blindagem & Segurança (B&S):Como está o mercado de blindagem arquitetônica no Brasil? Ela acompanha a velocidade da blindagem automotiva?

Gutto Pinesi (GP): Ao longo dos últimos anos, o mercado de blindagem arquitetônica se manteve crescente, mas sem acompanhar o mercado da blindagem automotiva. Isso se deu pela crise no mercado imobiliário e também por problemas de infraestrutura no Brasil.

B&S: Qual é o perfil do público consumidor desse tipo de proteção? Esse perfil tem mudado no decorrer dos anos?

GP: Desde o começo, o público consumidor desse tipo de proteção é variado. É formado tanto por pessoas físicas quanto jurídicas, nas áreas residencial e comercial e, inclusive, tanto pelo sexo masculino quanto feminino.

B&S: Como está o número de empresas que atua no ramo no Brasil? Ele é crescente?

GP: O número de empresas está crescente, o que não representa por si só uma boa notícia. Isso porque, como manobra para fugir da crise, inúmeras empresas ‘aventureiras’ apareceram, pegando carona nesse crescimento. São empresas que se dizem fabricantes e blindadoras arquitetônicas, mas que não possuem conhecimento nem documentação para atuar no setor.

O cliente, nesses casos, está comprando gato por lebre, o que traz imenso risco à sua segurança.

É preciso ter atenção para evitar cair em mãos erradas. Vale ressaltar que muitas empresas dizem ser certificadas e homologadas pelo Ministério da Defesa e Exército Brasileiro, porém, na realidade, não possuem os documentos exigidos para atuar nesse segmento, nem com relação aos produtos, nem com relação à própria empresa.

B&S: Quais são os principais cuidados que o consumidor deve tomar?

GP: É fundamental que se verifique a idoneidade da empresa, procurar saber quanto tempo está no mercado, se há reclamações ou recomendações da mesma, além, claro, de solicitar toda a documentação exigida antes de adquirir o material blindado.

B&S: Quais são as exigências para as empresas que atuam ou desejam atuar com blindagem arquitetônica? Quais são as certificações existentes nesse mercado?

GP: Essa pergunta é muito importante e merece total atenção por parte do consumidor. As empresas que possuem o TR – Título de Registro - são fabricantes e possuem os certificados tanto da empresa quanto dos produtos a serem comercializados.

 As empresas que possuem o CR – Certificado de Registro - não são fabricantes, apenas estão autorizadas a comprar e revender produtos blindados, por isso devem apresentar também os certificados (TR) da empresa fabricante e dos respectivos produtos a serem comercializados.

Vale uma ressalva. Na tentativa de induzir o consumidor ao erro, muitas empresas mostram os símbolos dos certificados em seus sites sem efetivamente tê-los. Por essa razão, exigir a apresentação dos certificados da empresa e dos produtos a serem comercializados pessoalmente é fundamental. Afinal, quem tem as certificações corretas não tem receio em mostrá-las.

B&S: Quais são os principais desafios a serem enfrentados pelo setor de blindagem arquitetônica no país?

GP: Segurança é coisa séria, a fiscalização existe e as empresas têm que exigir os produtos certificados, pois estão correndo o risco de comprar o produto blindado mais barato, porém, sem a garantia de procedência e resistência balística. O principal desafio é justamente esse, manter-se rígido diante das exigências, o que fará com que o mercado siga se desenvolvendo, de forma consolidada.

Essa máxima deve valer, inclusive, para as construtoras. Para minimizar seus custos, muitas adquirem produtos genéricos de blindagem, sem certificação, e nos catálogos de vendas ou até mesmo pessoalmente realizam a venda de imóveis informando que o mesmo possui blindagem, porém sem saber a procedência da mesma.

O consumidor não pode se deixar enganar. Exija sempre a documentação da empresa e dos produtos, desconfie de preços muito abaixo do mercado e tenha em mente que a qualidade e procedência dos produtos são fundamentais para a garantia de efetiva proteção.